De Brasí­lia | Valor Económico – 21/03/2005 – edição núº 1224 Os erros nas contas telefónicas cometidos pelas empresas estão fazendo surgir um novo mercado: o de auditoria de falhas nos pagamentos realizados por grandes companhias. O setor está em franca expansão, principalmente visando atender empresas com contas telefónicas mensais superiores a R$ 80 mil. Os resultados compensam: a economia pode chegar a 26% do gasto com telecomunicações. Após atrair os clientes oferecendo os serviços de auditoria, essas empresas pretendem fazer com que a terceirização total da área de telefonia das empresas seja uma prática constante no segmento corporativo.De acordo com Rubens Nicoluzzi, da empresa especializada Auditfone, as empresas telefónicas no paí­s cometem mais erros que nos paí­ses desenvolvidos. “Ao analisarmos o resultado dos nossos clientes, percebemos falhas em 5% a 22% das contas, contra a média de 5% a 12%na Europa e de 2% a 7% nos Estados Unidos”, afirma. Para ele, quanto mais antigo o prédio da empresa, mais probabilidade de erros.São quatro os principais tipos de falhas que ocorrem: cobranças de ligações que não foram realizadas, erro em interconexão, cobranças por períodos maiores que o utilizado nas ligações e duplicidade na geração de cobrança de produtos e serviços utilizados. Há outros problemas de infra-estrutura, como a filial de um banco, em São Paulo, que imagina contar com 600 linhas instaladas mas, na verdade, paga a assinatura de nada menos que 100 linhas extras.”As vezes os problemas se alternam em uma mesma conta telefônica”, afirma Nicoluzzi. Ele diz que esses tipos de falhas ocorrem em todas as companhias telefônicas: fixas, celulares e longa distância. “O que afasta as falhas é a idade da instalações da telefônica.”A Auditfone trabalha fiscalizando tecnicamente todas as ligações da companhia e comparando os resultados com a cobrança da conta. Ao constatar erro, a empresa toma duas medidas: contata a companhia telefônica para resolver as falhas – normalmente a Auditfone fica com um percentual da economia – e começa a planejar um sistema para evitar erros futuros.Quando os erros são detectados, a negociação é feita de forma direta entre a Auditfone e as telefônicas, sem a notificação dos problemas à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). “Muitas empresas estão muito próximas do limite de erros impostos pelas metas, e se as superarem, podem sofrer pesadas sanções”, disse.Na gestão telefônica das empresas, a Auditfone sugere planos, produtos e tarifas que mais se ajustam à s necessidades de suas clientes.”Podemos criar contas pré-pagas, negociar grandes lotes de DDD e DDI e optar por negociações específicas para grandes clientes de telefonia.” A Auditfone faturou em 2004 R$ 2 milhões de seus 50 clientes e espera chegar a uma receita de R$ 6 milhões a R$ 8 milhões apenas descobrindo erros nas contas e reorganizando a política de comunicação de grandes usuários de telefonia. Nicoluzzi acredita que os serviços de sua companhia são indicados para grandes empresas, com conta de telefone mensal superior a R$ 100 mil. “Em empresas pequenas e para os consumidores pessoas físicas a chance de erro é menor, pois o programa tarifário é mais simples e não há uma infra -estrutura tão complexa”, disse.Ele fundou a empresa depois que atuou por dois anos como diretor da área de tecnologia de informação da AmBev. “Para grandes companhias, o gasto com telefonia tem um peso grande e nós nunca temos transparência nessa despesa”, afirmou. Ele é engenheiro eletrônico e tem outros três sócios na Auditfone.Paula Zandomeni, diretora geral da In Voice, confirma o bom momento das auditorias em conta de telefones, mas sua empresa prioriza a venda da gestão da telefonia. “O erro impressiona os clientes, mas podemos economizar mais apenas com uma gestão mais funcional dos gastos com telefonia”, disse.Segundo Paula, o setor está passando por grandes transformações. “Depois da privatização, as empresas decidiram concentrar toda a comunicação em apenas uma telefônica, mas isso nem sempre é produtivo e há agora tantas variantes que é melhor deixar uma empresa especializada cuidar disso, terceirizando a telefonia”, disse. Ela afirma que, assim como a Auditfone, não faz apenas a auditoria das cobranças das contas, mas também no PABX das empresas, pra ver se realmente as ligações foram feitas. “Em geral, a economia obtida com a auditoria fica entre 6% e 8% das contas, mas já vi casos de 26% de redução”, afirma. “Temos que lembrar que os erros não são de má-fé, pois algumas vezes vemos erro para baixo”, disse. Ao contrário da Auditfone, a In Voice não cobra porcentagem da economia das contas. ” Cobramos um valor fixo”, afirma.

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